“Transformar o luto em luta”

Nota da UJS sobre a agressão e morte de Ricardo Ferreira Gama

A União da Juventude Socialista de Santos declara o seu repúdio à violência e posterior assassinato sofridos pelo auxiliar de limpeza terceirizado do Campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo, Ricardo Ferreira Gama.

Esse caso se soma aos mais tantos outros onde o Estado, através da sua força de repressão, agride um membro da classe trabalhadora, demonstrando que essa instituição ainda traz práticas da triste época de terrorismo de Estado que vigorou no país entre 1964 e 1985.

No dia 31 de julho de 2013, Ricardo estava em seu horário de intervalo do trabalho, uniformizado e identificado, quando foi abordado por policiais militares com truculência e ao responder às agressões verbais foi levado ao quintal de uma casa que se encontrava vazia e brutalmente agredido fisicamente, colocado numa viatura policial, sendo liberado logo depois.

No dia seguinte, segundo o próprio Ricardo disse a alguns estudantes, de acordo com a nota do DCE Unifesp, policiais passaram em sua casa e disseram que, caso fosse denunciada a agressão que ele sofreu a situação seria resolvida “de outro jeito”.

No dia 02 de agosto de 2013, Ricardo foi executado na frente da sua casa com 8 tiros por pessoas encapuzadas em circunstâncias que ainda não foram devidamente esclarecidas.

Todos os dias, são Ricardos, Amarildos, MC’s, jovens e trabalhadores, que têm suas vidas ceifadas sem devido esclarecimento. São mães, famílias, amigos que não tem paz, pois não veem justiça na morte de seus entes.

Nosso país conta com polícias que atuam numa lógica militar, ou seja, numa perspectiva de combate ao inimigo, e que ao atuar na sociedade fazem dela o seu alvo de combate, executando uma política higienista, principalmente com a juventude. Para as Polícias Militares, a juventude – principalmente a pobre, negra e periférica, ainda é culpada até que se prove o contrário.

Lutamos pela desmilitarização das polícias, pois dentro de um Estado democrático de direito é inviável a existência de uma força policial militarizada. Exigimos uma polícia que proteja a juventude e a classe trabalhadora, e não viole seus direitos, como tem sido sua prática.

Expressamos nosso pesar pela perda de mais um jovem trabalhador, nos solidarizamos à perda da família de Ricardo e estamos na luta, pela resposta que a comunidade acadêmica da Unifesp e toda a sociedade quer saber: QUEM MATOU RICARDO?

Santos, 11 de agosto de 2013.

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17/08: Direito feminino ao próprio corpo será tema de oficina

Neste sábado (17/08), o Núcleo de Liderança de Mulheres da Zona Noroeste, em parceria com a União Brasileira de Mulheres (UBM) e a União de Negros pela Igualdade (Unegro), realizará a oficina “Direito ao próprio corpo e a questão do aborto”às 15hno Centro da Juventude da Zona Noroeste (Avenida Brigadeiro Faria Lima, 1349, Jardim Rádio Clube).

O objetivo da oficina é discutir as questões que envolvem o corpo feminino, seu significado e seus direitos, no que diz respeito à autonomia da mulher sobre seu corpo. A atividade faz parte da 5ª Semana da Juventude, que é organizada pelo Conselho Municipal da Juventude.

A UBM e a Unegro são parceiras na realização de oficinas – abertas ao público – sobre temas que dizem respeito aos direitos das mulheres. “O empoderamento da mulher” é o tema central do conjunto das atividades em 2013.

A intenção maior é ampliar a articulação entre pessoas e instituições preocupadas com os assuntos relacionados às lutas feministas, além de desenvolver e consolidar um fórum de discussões.

Para tirar os direitos da juventude do papel

Mov Sociais

O Encontro dos Movimentos Sociais, na 5ª Semana da Juventude de Santos, foi um rico momento de debate sobre os avanços na construção de políticas de juventude, culminando na sanção do Estatuto da Juventude pela presidenta Dilma Rousseff.  Além disso, ficou clara a necessidade de que os grupos que lutam para tirar os direitos dos jovens do papel, em Santos e Região, planejem ações conjuntas.

Carlos André Conceição Alves, o Carlinhos, representante da CTB no Conselho Municipal da Juventude, conduziu o bate-papo. Em sua intervenção inicial, ele lembrou os 10 anos da mobilização que impulsionou tais avanços.

“A juventude organizada exigia políticas próprias. Dessa mobilização, na Cidade, veio o Centro da Juventude da Zona Noroeste (seguido de outros dois), a Comissão Municipal da Juventude (hoje, Conselho) e a aprovação do Plano Municipal de Juventude”, lembrou.

Além da inclusão, em 2010, da juventude na Constituição Federal, que reconhece este segmento como sujeito de direitos, Carlinhos também citou as milhões de bolsas universitárias oferecidas a estudantes de baixa renda. E ainda recordou as diversas conferências de juventude, onde foram discutidas propostas de/com/para os jovens.

Apesar dos avanços, os obstáculos ainda são inúmeros. Entre os mais graves debatidos, está o genocídio da juventude negra, pobre e periférica. Crimes cujos autores, muitas vezes, são agentes da “segurança pública”. Nesse sentido, o assassinato do auxiliar de limpeza da Unifesp, Ricardo Ferreira Gama, foi lembrado. Outra bandeira levantada é a desmilitarização da PM.

Keith Cristine (UBM) lançou questões importantes sobre a violência contra o gênero feminino, e alertou: “Na Zona Noroeste, não há delegacia da mulher. E a única que tem em Santos só funciona em horário comercial”.

Tudo isso sugere que a união dos movimentos sociais se faz muito necessária, para as grandes batalhas que ainda têm à frente, como ressaltou Ivana Dias (Unegro). Tarcísio de Andrade (UJS) seguiu linha semelhante, defendendo que “os movimentos não lutem apenas por suas bandeiras, como alguns militantes querem, mas que também apoiem outras causas”.

A importância da mobilização para impulsionar as transformações sociais e as reformas institucionais necessárias ao aprofundamento da democracia também foi abordada.

Além de lideranças de movimentos importantes, jovens da Zona Noroeste, dos morros São Bento, do Pacheco e Nova Cintra, da Zona Leste e de São Vicente estiveram presentes para se expressar, seja artisticamente ou com opiniões e relatos marcantes.

O Encontro dos Movimentos Sociais aconteceu no último sábado (11/08), primeiro dia da 5ª Semana da Juventude, na Escola Estadual Neves Prado Monteiro, Vila São Jorge. E foi organizado pelas seguintes entidades:

União Nacional dos Estudantes (UNE), União Estadual dos Estudantes (UEE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Núcleo de Liderança de Mulheres da Zona Noroeste (Nuclim), União Brasileira de Mulheres (UBM), União de Negros pela Igualdade (Unegro), União da Juventude Socialista (UJS) e o Centro de Estudos e Memória da Juventude (CEMJ).

Carlos Norberto Souza – Blog UJS Santos

Há 30 anos, Santos resgatava sua autonomia

 
A minha ainda pátria sofre as sequelas dos tempos da ditadura militar.
Entre tantos exemplos, o de hoje.
Nesta sexta-feira, completam-se exatos 30 anos do decreto-lei 2.050, de 2 de agosto de 1983, que devolveu a Santos sua autonomia política (reproduzido acima).
Classificada como “área de segurança nacional” em 1969, pelos civis e militares que deram o golpe e depuseram em 1964 o presidente João Goulart, Santos perdeu o direito de eleger seu prefeito e decidir seus rumos. A administração do município foi delegada a interventores escolhidos pelo militar de plantão na Presidência da República.
Na virada dos anos 70 para os 80, com o desgaste do regime vigente, a classe política e a sociedade local conseguiram se mobilizar e, graças a essa pressão, veio o resgate da autonomia, no decreto assinado pelo presidente em exercício, Aureliano Chaves.
A eleição do novo prefeito só viria em 1984, em 3 de junho.
Bom, por que percebo evidências de que o regime militar conseguiu anular o que marcava a sociedade santista, qual seja uma politização à esquerda, progressista?
Primeiro, porque no ano em que Santos comemora três decênios do resgate de sua independência, o prefeito do município é justamente o herdeiro político do último prefeito biônico (nomeado pelo regime), Paulo Alexandre Barbosa, do PSDB, filho de Paulo Barbosa (Arena, PDS). Paulo Barbosa pai deixou o Paço Municipal, em 1984, sob ovos e vaias (confira aqui).
E, no dia para se lembrar daquela data histórica, não se tem notícia de nenhum ato público, manifestação, evento em celebração a esse marco
Enfim, a autonomia definitiva Santos conquistaria de fato em 1984, com as eleições para prefeito e vereador em 3 de junho daquele ano, e a posse do eleito – Osvaldo Justo (PMDB) – em 9 de julho (recorde aqui).
Portanto, ano que vem teremos os 30 anos da independência plena. Que o aniversário seja devidamente celebrado. Aqueles anos de escuridão precisam ser recontados às duas, três gerações que talvez não tenham a exata dimensão do que aquilo representou para a história e o futuro da vida santista.
Wagner de Alcântara Aragão, no Macuco Blog

Dilma sanciona o Estatuto da Juventude

Brasília – O Estatuto da Juventude, que estabelece direitos para jovens entre 15 e 29 anos, recebeu vetos ao ser sancionado hoje (5) pela presidenta Dilma Rousseff. O artigo que previa meia passagem em transporte interestadual para todos os estudantes com até 29 anos, independentemente da finalidade da viagem, foi retirado. No entanto, a presidenta manteve a reserva de duas cadeiras gratuitas e de duas meia passagens para jovens de baixa renda em ônibus interestaduais, conforme ordem de chegada.

“A meia passagem para jovens de baixa renda foi uma grande conquista. Nós temos um conjunto de jovens no Brasil que ainda não conseguem conciliar trabalho com educação e eles estavam desistindo de ir à escola por causa disso. A regra para esses jovens de baixa renda são as mesmas dos outros programas do governo”, disse a secretária nacional da Juventude, Severine Macedo.

A presidenta vetou também o segundo parágrafo do Artigo 45º do Estatuto, que se refere aos recursos extraorçamentários necessários ao funcionamento do Conselho de Juventude, criado pela nova legislação para ouvir os jovens.

O Estatuto define os princípios e diretrizes para o fortalecimento e a organização das políticas de juventude, em âmbito federal, estadual e municipal. Isso significa que as políticas tornam-se prerrogativas do Estado, e não só de governos.

“Os jovens brasileiros vão entrar definitivamente para a agenda das políticas públicas brasileiras, independendo da posição do governo. Agora há uma legislação que ampara a execução das políticas para mais de 51 milhões de jovens”, garantiu Severine.

No texto foi mantida a meia-entrada em eventos culturais e esportivos de todo o país para estudante e jovens de baixa renda até o total de 40% dos ingressos disponíveis para o evento. A legislação atual também vai assegurar novas garantias como os direitos à participação social, ao território, à livre orientação sexual e à sustentabilidade.

Para União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Conselho Nacional da Juventude, a aprovação do Estatuto é uma vitória conquistada depois de quase dez anos de tramitação no Congresso Nacional. As entidades destacaram a importância da “voz das ruas” para a valorização da juventude.

Da Agência Brasil

– Saiba mais em “Vitória: Dilma sanciona o Estatuto da Juventude”, no blog nacional da UJS.

Geraldo Alckmin é o novo alvo das ruas

Por Altamiro Borges – de São Paulo

 

 

Os tucanos engoliram o seu próprio veneno. Após certa perplexidade, o PSDB decidiu apostar nos protestos de rua como forma de sangrar a presidenta Dilma Rousseff. Na semana passada, porém, as manifestações se voltaram contra o governador paulista Geraldo Alckmin. Duas marchas tomaram o centro da capital paulista exigindo apuração do escândalo do propinoduto tucano – que garfou mais de 450 milhões dos cofres públicos. Outro protesto, agora marcado pelo Movimento Passe Livre (MPL), está agendado para 14 de agosto e já está agitando as redes sociais. Temendo o “clamor das ruas”, o governo tucano e sua mídia já mudaram de postura.

O primeiro protesto ocorreu na quinta-feira e reuniu cerca de 300 pessoas. Houve choque com a polícia e cinco ativistas foram presos. Já a segunda manifestação, batizada de “Ocupe Alckmin”, ocorreu na sexta-feira e mobilizou mais de 500 jovens. Após ocuparem a Avenida Paulista, os manifestantes se dirigiram para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde exigiram a instalação imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias do propinoduto tucano. Eles ainda prestaram solidariedade ao povo carioca e pediram a renúncia do governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ). A repressão policial também foi violenta, resultando em 18 prisões.

Segundo relatos da imprensa, o clima na Alesp ficou bastante tenso. A Força Tática da Polícia Militar usou escudos, cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. O local foi cercado por grades na entrada e madeiras nas vidraças, tudo para cercear o protesto dos jovens que exigia transparência nas contas do transporte público e cobrava explicações sobre a denúncia de formação de cartel nos contratos do metrô. “Cabral e Alckmin, desculpas não limpam as fichas”, dizia uma das faixas. Um jovem ficou ferido após ser atingido com cassetete na cabeça. Outro teve ferimento no supercílio e foi levado em carro da PM ao hospital e, na sequencia, para a delegacia.

A própria Folha tucana reconheceu que a “PM endurece tática contra manifestantes”. Diferente do ocorrido nas marchas com pautas mais difusas, “presos em protesto contra Alckmin são acusados de formação de quadrilha, medida que retarda a libertação dos suspeitos”. O governador Geraldo Alckmin também voltou a endurecer o seu discurso. “Não é possível tolerar vandalismo”, esbravejou. Ele ainda justificou a truculência da polícia, “que agiu na medida correta”. Sobre as denúncias de desvios de milhões de reais dos cofres públicos nas obras do Metrô, um estafeta do governo tucano preferiu criticar o “uso político” das denúncias.

A mudança de postura também já se expressa na mídia tucana. Os manifestantes voltam a ser chamados de “vândalos” e “baderneiros” e a ação repressiva da polícia é sempre justificada. Nas fotos dos jornais e imagens da tevê nada de pessoas alegres, pintadas de verde e amarelo, mas somente cenas de depredação. “A PM vai analisar imagens de câmeras de segurança para identificar os vândalos”, alerta a Folha tucana. Pelo jeito, o ato marcado pelo MPL para 14 de agosto já preocupa as forças conservadoras de São Paulo. De pedra, os tucanos e a mídia que blinda as suas maracutaias podem virar vidraça!

Uma trincheira na luta pelos direitos dos jovens e pelo socialismo

Manter presença virtual não é algo dispensável, supérfluo ou secundário. Longe disso, nestes tempos chamados por muitos de “Era da Informação”, estar na internet é essencial. Ao refletir um pouco que seja, é possível ter uma noção clara da importância que ela tem em nossas vidas. Óbvio, a grande maioria da população brasileira ainda não “navega”. Mas, dia a dia, a internet tem se tornado uma “front” cada vez mais estratégico na batalha pelos “corações e mentes”.

A União da Juventude Socialista de Santos, por isso, está ganhando este blog. Verdadeira “trincheira” que servirá para a divulgação das nossas ideias e opiniões, a expressão dos nossos anseios e sonhos. E para trazer informações que estimulem o debate e contribuam para o protagonismo dos jovens cidadãos santistas. Além de qualquer coisa, este blog é um espaço de luta por uma sociedade cada vez menos desigual, social e economicamente falando, tendo em vista outro modelo de sociedade – pós-capitalista.

As entidades parceiras da UJS em Santos – e na Região – vão receber neste blog a importância que merecem, pois lutam conosco – ombro a ombro – por uma cidade mais igualitária, no que diz respeito às oportunidades, e menos “elitista”, para que ela seja acessível a todos. Entre outras importantes “bandeiras”, que também são nossas!

Para quem não a conhece, a UJS é a maior organização juvenil do Brasil, combativa defensora dos direitos da juventude, do Brasil e do socialismo. Em Santos, ela está em processo de reorganização e renovação de sua militância, combinando gente experiente com uma novíssima geração de jovens (eu mesmo faço parte dela), que está aprendendo a lutar lutando. Tal processo começou ano passado, com o Congresso Municipal da UJS, passando – ainda em 2012 – pela festa em Santos em comemoração aos 28 anos da UJS. De lá para cá, esta é a segunda direção municipal formada. Ela foi estabelecida no último 14 de julho, na Plenária Municipal, realizada na Zona Noroeste.

Enfim, o blog será um meio importante, aliado às demais mídias sociais, para que alcancemos nossos objetivos. Uma “trincheira” – lembra-se? Que vem a se somar às demais, onde atuamos: espaços institucionais, movimentos sociais ou, simplesmente, nas ruas.

Venha conhecer a UJS e lutar conosco por uma cidade, um Estado e um Brasil melhores, onde todos os direitos dos jovens sejam devidamente respeitados!

P.S: Leia o nosso manifesto para saber mais o que defendemos e acreditamos.

Carlos Norberto Souza, diretor de comunicação da UJS Santos/SP.